13 setembro 2008

Picadeiro



Em casa é o rei
No trabalho – o escravo
Na mente – sonhos de grandeza

Na marmita de todo dia
Nem feijão existe mais

De quem é a culpa?
Sua, minha ou nossa?
Ou, quem sabe, do destino?

Precisamos evitar
Que esse acrobata das estruturas
Caia em meio ao espetáculo

O operário sonha

Sonha com a morte,
Sombra que o persegue
E que o devora

Lá de cima

Das frágeis colunas de cimento
O artista vislumbra a criação

O cemitério de arranha-céus
Que ele mesmo ajudou a construir
Apavora-o

O operário chora

Mas suas lágrimas
Não abalam
Os alicerces da construção
Que comeu sua mão
E bebeu seu suor

O operário sonha

Sonha que há comida em sua casa
Que seus filhos são sadios
E sua mulher não reclama
Da vida que leva

E o operário chora.
E sonha, e chora.


Postar um comentário