27 fevereiro 2008

Astronauta



... e o Homem viu o Infinito;

e se perdeu em sua visão.

Por mais que tivesse imaginado,

nunca em tamanha imensidão.


Anos de luta, vidas,

tentativas vãs,

antecedentes da grande ocasião

em que o Homem,

sentado em seu trono de aço

vislumbrou,

como um deus,

o Universo em evolução.


24 fevereiro 2008

Um dia amanheci flores




Um dia amanheci flores
Despudoradamente aberta ao sol
Plenamente solta ao vento
Espalhando pétalas pelo caminho
Exalando vida
Exultante
Extravagante

Um dia amanheci amando

22 fevereiro 2008

Conselho de Mãe

Faça a mala.
Apague a luz e feche a porta.
E saia.


Saia do conformismo
Da inércia, da ilusão.
Diga adeus ao egoísmo
Doença que nos prega ao chão.

Não é fugindo da vida
Que as coisas vão melhorar
Levanta dessa cadeira
Você não tem a vida inteira
Para tentar ser feliz
Felicidade é uma arte
Só a tem quem a reparte
E não quem ao mundo maldiz.

Mostre suas virtudes,
Tome mais atitudes,
Assuma uma posição.
Mude o que está errado,
Deixe a preguiça de lado,
Viva com mais paixão.

Ajude seu semelhante,
Sinta-se mais importante,
Ouça mais seu coração
!







17 fevereiro 2008

Ladainha




Meu filho, não desce a ladeira
Lá estão os perigos
Que podem te machucar
Meu filho, não desce a ladeira
Lá estão os homens maus
Que querem te desandar
Meu filho, não desce a ladeira
Lá estão os monstros
Que à noite virão te assombrar
Meu filho, não desce a ladeira
Lá estão os falsos profetas
Que querem te enganar
Meu filho, não desce a ladeira
Lá estão os falsos amigos
Que nem sempre vão te apoair
Meu filho, não desce a ladeira
Lá estão os fantasmas
Dos que desceram a ladeira
E não voltaram

Olha do lado, meu filho,
Aí estão os que te amam
Olha do lado, meu filho,
Aí estão os que não querem
te ver perder o riso e o encanto
Olha do lado, meu filho,
Aí estão teus verdadeiros amigos
Tua família, teus pais
Olha do lado, meu filho,
Aí estão os que te apóiam
E sempre te darão abrigo,
Ternura, colo, carinho
E nunca te deixarão na mão
Olha do lado, meu filho
Meu filho, não desce a ladeira!

14 fevereiro 2008

Meu Anjo



Obrigada, Meu Anjo,
Pela proteção, pelo abraço,
Por me teres nos braços
Quando o chão me faltou.

Agradeço a intuição, o amparo,
Por sentir tua mão
Nos momentos da vida
Em que tu sabias
Que o que eu precisava
Era daquela lição.

Meu Mentor e meu Guia
Que alegria me destes
Quando vi tuas vestes
Bordadas de luz...
Nunca vi teu semblante
Mas jamais duvidei
De tua guarda constante
Obrigada, Meu Anjo!

09 fevereiro 2008

Prece à Terra




Ah, Grande Mãe, perdoai-nos
o lixo, a luxúria, o desleixo,
a pobreza, a avareza, o descaso,
os maus-tratos e a devastação.

Ah, Pacha Mama, ensinai-nos
a derrubar muros e construir pontes,
a escancarar mentes e fortalecer ideais
a repartir e a simplificar.

Ah, Doce Gaia, livrai-nos
da selvageria, maldade e tirania
dos déspotas e insanos governantes
que nos levam à destruição.

Ah, Mãe Terra, guiai-nos
na ética, na justiça, na moral,
na hospitalidade, no respeito, na paz,
na convivência e no amor incondicional.

Ah, Nave Cósmica, transformai-nos
de insensatos em lúcidos
de predadores em previdentes
de intolerantes em solidários

E que a nossa cura seja também a sua.
Amém.

(após a leitura de “Virtudes para um Outro Mundo Possível”, de Leonardo Boff)

06 fevereiro 2008

Bússola



O mundo é mais silêncio
que palavras
Somos mais espaço
que matéria

A humanidade flutua
no Verso
apartado do Uno

Perdi minha bússola
O Cosmos ainda não me pertence
Não pertenço mais à Terra

Meus olhos
deixaram de ser humanos
Recusam-se ao reconhecimento
dessa “Maya” ensandecida

Grito aos deuses
todos os dias:
“Desatem os nós!”

(Acho que se fingem de surdos)
....................

04 fevereiro 2008

Flautista



Eu vou comprar uma flauta
E vou tocar minha flauta
Pra te hipnotizar.
Como Pã vou te pacificar
E como um cansado guerreiro vais te acalmar.

Eu vou comprar uma flauta
E vou tocar minha flauta
Pra me seguires.
Como o Flautista de Hamelin vou te enganar
E como um ingênuo ratinho vais dançar.

Eu vou comprar uma flauta
E vou tocar minha flauta
Pra te fazer amar.
Como Orfeu vou te adormecer
E como um manso cordeiro virás te abrigar.

Eu vou comprar uma flauta,
Vou sim, vais ver!

03 fevereiro 2008

A criança morreu




A criança morreu.
Velemos por ela.


Os olhos inocentes são agora profundos e tristes.
As faces rosadas estão marcadas por cicatrizes.
A vivacidade transformou-se em vivência.
A infantilidade em violência.


Aprendeu a fingir, a enganar, a fugir,
A odiar, a desconfiar, a vingar e a sofrer.
Tirou o diploma de maturidade.
Tornou-se um adulto.


Está pronto para enfrentar seus semelhantes:
Sabe sorrir com ironia,
Sabe lamentar o que não sente,
Sabe vender sua amizade.
Sabe que as aparências enganam
E se deixa enganar.
Sabe que as crianças dizem verdades
E as manda calarem a boca.
É um homem!


Choremos pela criança que morreu,
Mas choremos mais ainda
Pelo adulto que acaba de nascer.

01 fevereiro 2008

Mistérios




As emoções estão suspensas
O desânimo paira sobre as cabeças
Não convém abusar de nossas limitações

Algo que transcende o entendimento
Circunda o ambiente.
Somos fracos e indefesos.

Por que o mistério?
Por que as coisas não se apresentam
como realmente são?


O comodismo ultrapassa a curiosidade
E nos aglomeramos na ignorância.
E há tanto a descobrir...


Mas por que pensar quando existe o instinto?
Por que lutar quando é bem melhor ficar parado?
Se o mistério não foi revelado
Por que preocupar-se em tirar-lhe os véus?
A alienação é mais cômoda... mais fácil.

Há algo que sufoca nossas mentes
O medo de tomar decisões nos assusta
E então ficamos parados como fantoches,
A morte nos rondando
E nem sabemos quem é ela.

Todos fazem perguntas
Mas ninguém se preocupa em responder
Por medo do que por trás de tudo
Ou apenas por falta de interesse.