05 janeiro 2009

Tao e Tama




Um homem caminhou pelo mundo.

Viu as armas,

as cidades,

as guerras.


Viu além das armas,

além das cidades,

além das guerras.


Viu o Homem

e a história dos homens.

Viu além dos homens

e de sua história;

viu as almas dos homens.


E contou a história das almas dos homens

nos gestos,

nas tintas,

nos metais,

nas pedras,

nas palavras.

Revelou aos homens

Coisas de suas almas que eles nem conheciam.


Buscou além das almas do homens

e encontrou o amor de uma mulher

que também vira as armas,

as cidades e as guerras.


E caminharam juntos

até o país das florestas,

dos homens simples,

onde reina a paz.

E aí fizeram morada,

construíram seu templo,

abriram seus corações,

e deram as mãos aos homens.


Aquele homem se foi

mas seu legado continua.

Sua alma pura permanece

imantada em sua obra,

guardada pela companheira

que de forma generosa,

amorosa e sagrada

revela aos que chegam

também de coração aberto.


Bendito o que fez de sua vida

um caminho para que

outros homens aprendam

a trilhar o seu próprio caminho.

Bendita a que fez de sua vida

uma porta aberta

aos amigos e estrangeiros

e que faz do Amor sua morada.

No Sagrado, os opostos tornam-se Um.



Dedicado a Tao Sigulda e Tama Sigulda.

Tao Sigulda (1914-2006), artista plástico de renome internacional, nascido em Riga, Letônia, fixou residência no Brasil na década de 60. Passeou por diversos materiais e variadas vertentes artísticas, demonstrando maestria em todas elas. Em 1985 criou um Centro Cultural que leva o seu nome, em Jarinu/SP. Tama Sigulda, sua esposa, é quem administra hoje as obras e o Centro Cultural Tao Sigulda, revelando com amorosidade e simpatia a quem ali chega a alma de seu amado esposo.

(fotos de Goonie: Tao e uma de suas últimas obras. Tama no atelier de Tao)

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