13 agosto 2009

Meu Avô


Meu avó era um gigante.

Pra conversar com ele

eu tinha que olhar pra cima

e ele me sorria lá do alto,

com aquele chapéu enorme.

Se eu quisesse uma fruta no pé

ele esticava o braço e pegava

com uma só mão!


Meu avô era um super-homem.

Fez um balanço na varanda para os netos,

em que a gente podia balançar forte

que não caía,

e me levava nos ombros

quando íamos nadar no rio.


Meu avô era um rei.

Quando ia para a cidade,

na chimbiquinha sem portas,

eu ia na carroceria

com o vento levantando meus cabelos

e na cidade ele a todos acenava.


Do alto dos meus cinco anos

eu não sabia que meu avô era velho,

eu não sabia que ele iria embora logo.

Se eu soubesse,

teria lhe dado mais beijos

e pedido mais colo.


Quem tem um avô, tem um tesouro.



foto: eu e meu avô Clóvis (1961)



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