30 janeiro 2009

espera



te espero

ao lado dos girassóis

já curvados pelo entardecer


vão-se os pássaros

de volta aos ninhos

e essa atmosfera

de melancolia

me invade


a ausência arde


até o relógio

zomba de mim

e não cumpre seu giro

com a destreza que deveria


a espera é uma agonia

é o tempo com raiva da gente


a lua é um sorriso

nessa hora em que o dia já se foi

e a noite ainda não chegou


estás tão presente

embora essa distância consumada


também há vida nas metades

mas é meia-vida


arte de Paulette Insall



20 janeiro 2009

Yes, we can


Sim, nós podemos

Ser grandes sem precisar tornar os outros pequenos.

Sim, nós podemos

Ter a mesa farta sem que os outros passem fome.

Sim, nós podemos

Confiar em nós mesmos e incentivar a autoconfiança nos outros.

Sim, nós podemos

Acreditar que as mudanças são possíveis.

Sim, nós podemos

E devemos cuidar de nossos irmãos menos favorecidos.

Sim, nós podemos

Ir além, mais alto, fazer mais.

Sim, nós podemos

Tornar o mundo melhor para todos.


Yes, we can.

Sim, nós podemos.


15 janeiro 2009

Os Guerreiros do Arco-Íris



Quando a Terra estiver devastada e os animais morrendo, virá uma nova tribo, formada por variadas cores e credos; e por suas ações e proezas a Terra tornar-se-á novamente verde.

Eles serão conhecidos como “Guerreiros do Arco Íris”.

Eles enfrentarão montanhas de ignorância, ódio e preconceito.

Mas serão dedicados, determinados em seu propósito e fortes de coração.

Eles encontrarão corações e mentes que os seguirão nessa jornada de retorno da Mãe Terra à beleza e plenitude . (Profecia dos antigos índios americanos)


“Virá, que eu vi.” (Um Índio, música de Caetano Veloso)






Há um canto de pássaro que ainda não foi ouvido.

Escondido sob um manto escuro ele ainda repousa.

Ousa vez ou outra um trinado, o momento buscando

Quando abrirá as asas e livre alçará vôo.


Há uma luz que ainda não se fez toda em cor

Por entre as trevas que nos corações fizeram morada

Acuada pelo tempo, a tempestade e a guerra

Encerra em si o último pôr do sol.


Há uma semente prestes a romper-se em vida

Perdida na inutilidade do servir aparente

Dormente embrião na aurora de uma nova era

Espera: por mim, por você, por nós – espera.


05 janeiro 2009

Tao e Tama




Um homem caminhou pelo mundo.

Viu as armas,

as cidades,

as guerras.


Viu além das armas,

além das cidades,

além das guerras.


Viu o Homem

e a história dos homens.

Viu além dos homens

e de sua história;

viu as almas dos homens.


E contou a história das almas dos homens

nos gestos,

nas tintas,

nos metais,

nas pedras,

nas palavras.

Revelou aos homens

Coisas de suas almas que eles nem conheciam.


Buscou além das almas do homens

e encontrou o amor de uma mulher

que também vira as armas,

as cidades e as guerras.


E caminharam juntos

até o país das florestas,

dos homens simples,

onde reina a paz.

E aí fizeram morada,

construíram seu templo,

abriram seus corações,

e deram as mãos aos homens.


Aquele homem se foi

mas seu legado continua.

Sua alma pura permanece

imantada em sua obra,

guardada pela companheira

que de forma generosa,

amorosa e sagrada

revela aos que chegam

também de coração aberto.


Bendito o que fez de sua vida

um caminho para que

outros homens aprendam

a trilhar o seu próprio caminho.

Bendita a que fez de sua vida

uma porta aberta

aos amigos e estrangeiros

e que faz do Amor sua morada.

No Sagrado, os opostos tornam-se Um.



Dedicado a Tao Sigulda e Tama Sigulda.

Tao Sigulda (1914-2006), artista plástico de renome internacional, nascido em Riga, Letônia, fixou residência no Brasil na década de 60. Passeou por diversos materiais e variadas vertentes artísticas, demonstrando maestria em todas elas. Em 1985 criou um Centro Cultural que leva o seu nome, em Jarinu/SP. Tama Sigulda, sua esposa, é quem administra hoje as obras e o Centro Cultural Tao Sigulda, revelando com amorosidade e simpatia a quem ali chega a alma de seu amado esposo.

(fotos de Goonie: Tao e uma de suas últimas obras. Tama no atelier de Tao)