
arte de Anca Sandu

vamos de mãos dadas
em direção ao futuro
juntos, nada nos deterá
derrubaremos qualquer muro
filhos da pátria, caminhemos
com fé, amor e arte
unidos por um mundo melhor
a palavra é nosso estandarte
a esperança nos comanda
a fraternidade nos guia
a persistência é nosso lema
nossa arma é a poesia
arte de Delacroix
Meu avó era um gigante.
Pra conversar com ele
eu tinha que olhar pra cima
e ele me sorria lá do alto,
com aquele chapéu enorme.
Se eu quisesse uma fruta no pé
ele esticava o braço e pegava
com uma só mão!
Meu avô era um super-homem.
Fez um balanço na varanda para os netos,
em que a gente podia balançar forte
que não caía,
e me levava nos ombros
quando íamos nadar no rio.
Meu avô era um rei.
Quando ia para a cidade,
na chimbiquinha sem portas,
eu ia na carroceria
com o vento levantando meus cabelos
e na cidade ele a todos acenava.
Do alto dos meus cinco anos
eu não sabia que meu avô era velho,
eu não sabia que ele iria embora logo.
Se eu soubesse,
teria lhe dado mais beijos
e pedido mais colo.
Quem tem um avô, tem um tesouro.
foto: eu e meu avô Clóvis (1961)
retorna o homem à origem
no seio da mata virgem
sombras, ruídos e aromas
despertam memórias ancestrais
percebe-se como espécime
no paraíso incólume
e em renascer sublime
metamorfose ou simbiose?
comunga com elementais
chora a devastação
da encosta e do grotão
convulsa febril pela terra
e sangra com os animais
revolta-lhe a bestialidade
chamada de humanidade
sofre o selvagem instinto
e lastima os seres mortais
quisera tornar-se floresta
quisera buscar qualquer fresta
na aura verde das rondas
e incorporar toda a senda
do atavismo universal
arte de Geneviève Sophie Routhier