21 março 2010

Os que não pertencem





nos cais dos portos
nos trens abarrotados
nas estradas poeirentas



nunca o travesseiro macio
nunca a conversa ao redor da mesa
nunca a palavra lar



trazem consigo
o incerto olhar da espera
e a dignidade silenciosa
diante das portas fechadas
da alheia desconfiança
da inútil piedade



só levam de si a própria sombra
e o peso do nome: refugiados

são homens que não pertencem
trilham os caminhos das nuvens
só olham para a frente
- e para baixo
desconhecem regressos
alimentam-se
da esperança do futuro



são homens que não pertencem



quando os vejo
me aperta no peito
uma pesada dúvida:
qual o real significado
de ser humano?





inspirado nas fotografias do livro Êxodos, de Sebastião Salgado (fotos do livro)
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