27 outubro 2010

Estrela Brilhante



(a John Keats)


a alma do poeta vai em busca do silêncio
pressente a proximidade do vazio
vive cada instante com valor imenso
como néscio tomado de fascínio

sabe o caminho mas desconhece a hora
o corpo é febril, a palavra convulsa
e - alheio a tudo - o verso aflora
enquanto o anjo negro sobre ele debruça

distante do rigor do inverno londrino
separado de tudo o que mais ama
busca aceitar seu cruel destino
de cedo abandonar a vida e a fama

não saberá do último pensamento
se a uma estrela brilhante ou à mulher amada
deixará inscrita essa dúvida no vento:
será a vida um poema ou uma piada?
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