08 dezembro 2010

Fim?



ligo a televisão e vomitam notícias ruins no tapete da minha sala;
sinto náusea, tontura, desânimo: gente morrendo em catástrofes,
guerras, enchentes, de fome, de frio, de descaso; há um coro de
mil vozes que suplica por clemência nesse mundo tão caótico
em que predominam a ira, a demência; há sempre um irmão
estendendo a mão, pedindo água, conforto, paz e atenção;
há o medo e a impotência pregados para sempre no olhar
de quem viu o mundo desabar e se perdeu; vejo dor e a
escuridão espalhadas pelo planeta e ainda me espanto
com o mau comportamento e os discursos deveras
arrogantes dos políticos cínicos e corruptos que
não veem a beira do abismo a sua frente, não
leem os sinais reveladores dos outdoors, e
então me pergunto: será esse o predito
apocalipse, serão essa devassidão e
podridão que levarão o nosso
pequenino planeta azul a
encarar o tão temido,
o tão profetizado
e inevitável
the end
fim?
Fim.
Não!
espere,
há uma saída
vejo uma porta
entreaberta, existe
um olhar de ternura no
estranho que passa, ainda
vejo pessoas que têm sonhos,
há quem doe de si sem cobranças,
há confiança nos olhos das crianças,
e se houver valores, ainda que latentes,
um novo homem poderá surgir das areias
da destruição e desafiar o tão vaticinado fim,
criando um amanhã diferente, um planeta mais
luminoso, em que moedas, muros, status, crenças,
poder, cor de pele, armamentos, política, etnias, sejam
palavras arcaicas cujo sentido perdido será de interesse só
de algum estudo arqueológico que nos revele a bestialidade dos
antepassados; um mundo onde o bem próprio deve ser o bem estar
do próximo, e que a palavra paz não estampe estandartes e camisetas,
pois que será o modo de viver comum a toda a humanidade; um futuro no
qual a vida de todos os seres deste planeta reverbere na respiração da nossa
mãe natureza, e que sedimente as areias do tempo, fixando-as na eternidade...
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