27 fevereiro 2011

Brandura



Já andei por esses caminhos
resgatando almas de abismos
puxando os fios de suas vidas
até sangrarem-me as mãos
em lutas e malabarismos
tentando estancar feridas
expostas por todos os vãos

Sempre a mesma pergunta
na boca, nos olhos, na dor:
Por quê? Por quê? Por quê?
E nesse papel de inquisidor
palavras eram lâminas afiadas
feriam como pedras lançadas
de efeito devastador

E foi nessas tristes andanças
que aprendi a lição da brandura
e abandonei as cobranças
- em vez de ser a borrasca
eu procuro ser o farol
a mão no ombro é a mão que cura
o abraço é o laço que refaz a confiança
palavra de estímulo é acupuntura
e nos cantos onde a palavra não alcança
sorriso é janela aberta para um novo sol



arte de Catherine Brooks

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