03 setembro 2011

Um encontro no deserto (fragmento)



Então eu lhe disse: “Não há borboletas no deserto.”

Ele me sorriu, como se para uma criança e fechou suavemente meus olhos com as mãos: “Imagine tua alma, livre, nas amarras deste teu corpo, ela se assenta obediente e aceita essa prisão porque sabe do dia em que poderá voar. Todos os dias sonha com a luz maior que a do dia e com o espaço que se abrirá à sua volta, mas se acomoda neste estreito casulo, suporta os dias e espera.”

Eu podia sentir o sol queimando-me a face quando reabri os olhos e vi: milhares de borboletas coloridas voavam ao meu redor, reluzindo à luz do dia, eu girava e ria, e ria e girava: “Eu sinto, eu sei.”

Mas ele não estava mais ali.
 
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