05 dezembro 2011

Testamento do poeta

morre um pouco de mim em cada poema
que faço
fica um pouco de mim em cada palavra
que confesso
e antes de chegada a hora
do arrebatamento
nas fronteiras que distanciam olhares
fica aqui expresso
aos poetas
- amigos mais particulares -
meu humilde testamento

deixo a lua e as estrelas
a memória dos beijos
aos amantes apaixonados

deixo os dias de sol
as flores e os aromas do jardim
aos amigos desventurados

deixo os pratos de porcelana
para jogar contra a parede
aos revoltosos descontrolados

aos que não veem na vida sentido
e precisam de inspiração
deixo os livros e discos amados

àqueles que acham que o mundo
se resume ao seu quarteirão
deixo passaporte, mochila e um jeans desbotado

o encantamento com a vida e a beleza
a magia que descobri entre a luz e as sombras
deixo aos artistas e poetas iluminados

sinto muito se não deixo propriedades
dinheiro ou bens valiosos
mas o saldo no banco está zerado


arte de Olga Minardo
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