03 julho 2012

O canto da sereia (ou papo de piriguete)






do fundo do mar
vinha o longo lamento
como o assovio do vento
ou uma canção de amor

aquele choro sentido
causava tal encantamento
que o homem do mar, sedento
entregava-se ao torpor

hoje a sereia nem tem sutileza
escancara o argumento
abusa no atrevimento
chega a ser constrangedor

e o macho tolo se entrega
em total derretimento
ao perigoso divertimento
achando que é o caçador

não percebe a armadilha
paga caro o aliciamento
vira caça, alimento
peça de colecionador



arte de Luigi Suifredda

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