30 janeiro 2014

História Perdida

arte de Charles Harbutt

há uma dor despercebida
atrás de um riso forçado
atrás de uma palavra ríspida
há um coração dilacerado

a sombra que lhe foi concedida
encobriu o próprio sol
solitária estrela esquecida
solta no mar sem farol

em mãos trêmulas estendidas
vai arrastando seus dias
nas lágrimas engolidas
nas promessas tão vazias

ninguém sabe de sua vida
se é que alguma ela tem
mas na hora da despedida
no último vagão do trem

deixa no banco sua história
a voz que nunca ousou
na tolhida trajetória
a asa que nunca voou

no único gesto audaz
despe a mortalha de mulher
fecha os olhos vai em paz
que a morte irá lhe acolher


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