12 março 2014

Impressão


arte de Odilon Redon

mereço cada palavra
que extraio da pele como espinho
essa textura de folha seca
que é meu pobre coração

pereço em cada palavra
que se crava na pele como adaga
o peso que parte em dois a luz
dissolve a alma em convulsão

as páginas do livro rasgadas
a armadura partida
a vida rastelada
as rosas incendiadas
as vozes recolhidas
a noite e o vento
os pássaros
a música que toca nos ossos
e a fugitiva ideia
de que a poesia salva


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