09 maio 2014

O amor ficou pra depois

arte de Brita Seifert


o amor ficou pra depois
nenhum aceno
nenhum bilhete
somente uma paisagem
inquieta
um vazio de sons
que transforma a respiração
em agonia sinistra
nossos olhares
atravessam
multidões
mares
desafios
eu te vejo
tu me vês
em mensagens líquidas
condenados
ao cometimento das ausências
à travessia das memórias
estaremos às janelas
sussurando
aos mesmos ventos
nas noites
buscando as mesmas estrelas
pressentindo nos abraços alheios
a entrega adiada
contando sóis e luas
que se intercalam
no tempo que arrastamos atrás de nós
repetindo as mesmas palavras e promessas
para não esquecermos até a próxima vida
enquanto isso
lavamos a areia dos olhos
limpamos qualquer resíduo de tragédia
e seguimos acreditando
que esse vácuo é somente
uma pausa entre o
desejo e o sopro do anjo
e o resto do mundo é ilusão 


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