02 março 2016

COMEMORAÇÃO DAS BODAS DE DIAMANTE DE CARLOS E HELENA

O texto a seguir foi escrito e lido por mim na comemoração das Bodas de Diamante (60 anos de matrimônio) de meus pais, Carlos e Helena.



Hoje aqui,
estas pessoas,
neste espaço,
estamos celebrando.

Lá fora o mundo pode estar desmoronando,
o caos absorvendo a paz e a harmonia,
mas aqui
neste recinto
estamos celebrando a alegria e absolvendo o mundo.

Estamos celebrando um encontro
marcado no tempo,
escrito nas estrelas,
antes de haver os dias,
antes de haver a vida,
e que se firmou
no anseio de duas almas comprometidas.

Algo tão simples de ser dito
mas que é tão imenso no sentido.
O que é explicado como sentimento
mas nem sempre totalmente apreendido.

O amor...
que esses dois seres
maravilhosamente
humanos
aqui presentes
nos ensinam.

O amor...
em todas as suas formas, presenças, exemplos, palavras,
o amor de alma, de calma, de apreço, sem preço,
porque toda maneira de amor vale a pena
e leva a vida inteira
para descobrir
que sim, vale a pena.
Pelo menos valeu, para o Carlos e a Helena.

O amor abençoado,
confirmado e transubstanciado no casamento
como templo sagrado,
construído aos poucos,
com sol ou tempestade,
na alegria e na dor,
cumprindo antigos votos,
acreditando
que tudo é possível
porque o ser amado está ali ao lado
ecoando insuspeito
em cada gesto
a promessa implícita de um
"sim, aceito".

Não é a casa pronta, é cozer os tijolos, misturar água e areia,
é erguer paredes e pintar estrelas,
é assar o bolo e confeitar a alma,
é um varrer e o outro segurar a pazinha,
é sorrir para a chuva que desmanchou o trabalho pronto
e dizer ao outro
"recomecemos".

Porque o amor,
meus amigos,
não é para os fracos.
Tem gente que pensa
que no amor soma-se
tudo o que é igual.
Quando, na verdade,
a soma de todas as diferenças é que multiplica o amor
e o torna especial.

Tão alto se vai por amor
que acreditamos ter asas.
Tão longe se vai por amor
que acreditamos que o mundo não tem fim.

E quando encontramos
a pessoa que divide conosco
as flores e os espinhos,
a pessoa que nos engrandece espiritualmente,
a pessoa que ao mesmo tempo é esquisita e maravilhosa,
que ronca a noite toda, mas se não ronca nos deixa preocupados,
a pessoa que vem à nossa mente
quando alguém soletra a palavra "amor",
aí é que sentimos que nosso coração está em casa, seguro.
Aí é que sentimos que a vida passa
mas o amor fica;
que os erros e acertos já não têm tanta importância
e aquela felicidade
que a juventude tanto ansiava,
na maturidade
tem nome, sobrenome e se senta ao nosso lado;
porque ela não é ilusão,
mas vivência, amparo, companhia.
É a magia da cumplicidade
que se renova dia a dia

Disse um antigo poeta:
"Vocês eram partículas de luz
e agora são o sol radiante".
E eu digo mais:
vocês eram dois jovens
bonitos, sonhadores, elegantes
e hoje são rainha e rei.
Vocês eram duas abelhinhas
em busca de um pouco de mel
e hoje são um só diamante 
- puro e luminoso -
há 60 anos
refletindo a vida de todos aqui presentes,
e também de alguns que não estão mais conosco.

Agradeço ao Criador, ao Universo e ao Tempo
a Generosidade de tê-los como pais
amorosos, acolhedores, zelosos.

Agradeço aos nossos convidados
a presença neste momento tão importante para o casal
bem como a paciência de cederem seu tempo e ouvidos
às palavras que floresceram em meu coração.

Termino com um poema sobre o amor,
daquele poeta que melhor descreveu as emoções humanas:
  

"De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou".

William Shakespeare
(tradução de Bárbara Heliodora)

Muito amor para todos.








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