22 abril 2017

Do décimo andar



do décimo andar a cidade grande
espalha-se além do que cabe em meus olhos
as poucas árvores espremidas entre os prédios
tentam preservar seu pedaço de chão

da vidraça dou adeus aos que passam
apressados, embaçados, não dão conta de mim
no imenso abraço que a altura possibilita
uno a minha solidão à de todos

nós, os sem teto ou sem tessitura
translúcidos, silenciosos, solenes
seguindo rastros de miragens 
às margens de perigos imprecisos
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