22 julho 2017

Manifesto


quero um poema cravado em pedra
forjado em ponta de lança candente
quero o rompante, ímpeto sem regra
raio que fere, maná que alimente

poema que não se escreve em seda
porque meu coração é hard rock
quero a palavra como labareda
e a ousadia de uma belle époque

que escorra da mão como fina areia
arda nos olhos e queime na pele
o som agudo que lateja a veia
vibra nos pelos e a boca expele

eu quero a verve e não rima anestésica
enigma, signo, palimpsesto
que enovele a língua e defronte a lógica
motim, desassossego, manifesto



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