14 outubro 2017

Passeio norturno



nas horas em que o silêncio
adormece o mundo
a noite me pega pela mão
e vou com ela velar os sonhos

na aragem fresca dos campos
sinto a paz dos animais na dormida
navego oceanos iluminados pela lua
flutuo no espaço entre mil estrelas

perpasso cidades, países, continentes
espreito becos onde a noite é triste
os desvalidos que a cidade recusa
vejo as mazelas da nossa humanidade
que a escuridão camufla mas o olhar denota

no comboio noturno vão amantes e artistas
os que se alimentam da insônia
pelo prazer de uma boa companhia
mas há também pobres homens
a quem a noite não dá repouso
porque lhes pesa na alma
algum malfeito ou ultraje

vejo ainda companheiros
no trabalho de vigília
zelando em seu mister
ouço choros, risos, sussurros
quebrando o silêncio da treva
pressinto sonhos e pesadelos
passo por noctâmbulos
por criaturas da noite
em seus rituais de caça

eis que um pequeno lume
ergue-se no horizonte
a aurora anuncia o sol
novo ciclo, renovação
a noite me diz bom-dia
recolhe seu manto estrelado
acorda o mundo suas cores
rumores e cantorias
e eu guardo a minha viagem
com muito cuidado no bolso
porque sei que a qualquer momento
toda essa inspiração
vai acabar no papel
em formato de poesia



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