03 outubro 2010

A quem faltam as palavras



e há a sede de palavras
escassas
escarradas
escusas
deus, como são poucas as palavras
e são tantas as febres
e são tantos os conflitos
e tão imensas as tragédias
a poesia flutua
mas a vida pesa
no cabo das tormentas
nos sulcos da estrada
nos grilhões da azáfama
há pedaços de palavras
boiando em poças
lamacentas
há sombra e fumaça
há choro e velas
restos de palavras
e o grande silêncio
que a tudo abraça
como no sonho ruim
há que esperar
a bala
o sangue
a explosão
a sangria desatada
há que esperar
a palavra
que se cumpra
que não se meça
até mesmo a palavra muda



arte de Vladimir Dunjic

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