01 maio 2011

És filha do mar


sim, sou filha do mar
não tenho raízes na terra
sou a que as ondas carregam consigo
e jogam contra os rochedos
para após retomarem como sua
esbatida e nua

sou dos recomeços
das ondulações
das espumas e aragens
não sou das margens
nem dos limites

se em ilhas me detenho
me redesenho itinerante
evito o naufrágio
por um breve instante
e volto ao mar
 - delirante -
atiro-me à imensidão

o mar está perto do céu
vivo nesse carrossel
até o dia 
de ser abandonada
em alguma praia
como arraia
que perdeu na pescaria
largada na areia
corroída pela maresia
- concha vazia


arte de Bernard Louedin
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