Recebi este selo do poeta Vicente Ferreira da Silva , do blog Inatingivel. Muito obrigada!
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06 Julho 2009
como notas numa partitura que ao se unirem viram música da mão divina a urdidura assim é a humanidade tentando compor o som da vida na pauta do cotidiano em que resvala a verdade: breves, colcheias, semifusas, em disposição tanto confusa, notas nem sempre harmônicas, acordes às vezes discordantes, melodia instigante, orquestra sinfônica procurando sua tônica; então vem uma criança faz de tudo bela dança e reaviva nossa crença: quem espera sempre alcança, o som da vida é a esperança.
Tenho guardado em mim o sentimento profundo de que somente a poesia pode salvar o mundo.
arte de E.J.Poynter
14 Março 2009
quando sua alma toca minha alma,
quando suas mãos tocam minhas mãos,
quando seu corpo toca o meu corpo,
harmonia, melodia e ritmo
modulam perfeitos movimentos,
às vezes tocamos
um noturno
em que um chopin se reconheceria.
às vezes tocamos
uma sinfonia
de deixar qualquer beethoven com inveja.
e não há ensaio – é sempre um improviso...
arte de Gustav Klimt
28 Fevereiro 2009
circunavego
os dias
à espreita
das tempestades
que se avizinham
a cada entardecer
guardo um pouco de sol
no bolso
e procuro
reter
o som das gaivotas
na alma
arte de Max Laigneau
18 Fevereiro 2009
como pássaros em gaiolas
cantam para as árvores
sem perceber as barras da prisão
assim vivemos - felizes na ilusão
...nem notamos a porta aberta
não há espada do destino
não há deuses maldosos
rindo de nossas dores
somos nós os atores
dos nossos dramas diários
há o mistério que cega
como quem olha para o sol
e há a cegueira estática
de uma vida errática
de quem pensa que vê
crianças sabem as respostas
mas exigimos as nossas
cheias de mentiras e defeitos
os livros contam estórias de grandes feitos
mas a história dos grandes homens está nas ruas
arte de Fernand Khnoff
09 Fevereiro 2009
de que me vale
um homem que pisou na Lua
se ainda há seres humanos encarcerados
em prisões de tijolos e em prisões de vícios
de que me vale
um telescópio que fotografa
estrelas infinitamente distantes
se ainda vejo pessoas neste planeta
de olhos fechados às atrocidades,
eternamente voltadas
às próprias mediocridades
de que me vale
um carro que atinge alta velocidade,
satélites que indicam o caminho,
se há homens perdidos
na morosidade de uma vida
dedicada apenas a satisfazer os sentidos
de que me vale
saber o valor de moedas,
PIBs e barris de petróleo,
se a Terra está gritando por socorro
os lúcidos estão gritando por socorro
os pobres estão gritando por socorro
SOCORRO!
ninguém come dinheiro nem bebe gasolina!
a crise não é financeira, a crise é de valores morais!
vale mais
pessoa cuidando de pessoa
gente se preocupando com gente
ser humano amparando ser humano
pois já foi dito
nenhuma ovelha ficará desgarrada
nenhuma alma será condenada
nenhum passageiro restará fora da arca
30 Janeiro 2009
te espero
ao lado dos girassóis
já curvados pelo entardecer
vão-se os pássaros
de volta aos ninhos
e essa atmosfera
de melancolia
me invade
a ausência arde
até o relógio
zomba de mim
e não cumpre seu giro
com a destreza que deveria
a espera é uma agonia
é o tempo com raiva da gente
a lua é um sorriso
nessa hora em que o dia já se foi
e a noite ainda não chegou
estás tão presente
embora essa distância consumada
também há vida nas metades
mas é meia-vida
20 Janeiro 2009
Sim, nós podemos
Ser grandes sem precisar tornar os outros pequenos.
Sim, nós podemos
Ter a mesa farta sem que os outros passem fome.
Sim, nós podemos
Confiar em nós mesmos e incentivar a autoconfiança nos outros.
Sim, nós podemos
Acreditar que as mudanças são possíveis.
Sim, nós podemos
E devemos cuidar de nossos irmãos menos favorecidos.
Sim, nós podemos
Ir além, mais alto, fazer mais.
Sim, nós podemos
Tornar o mundo melhor para todos.
Yes, we can.
Sim, nós podemos.
15 Janeiro 2009
Quando a Terra estiver devastada e os animais morrendo, virá uma nova tribo, formada por variadas cores e credos; e por suas ações e proezas a Terra tornar-se-á novamente verde.
Eles serão conhecidos como “Guerreiros do Arco Íris”.
Eles enfrentarão montanhas de ignorância, ódio e preconceito.
Mas serão dedicados, determinados em seu propósito e fortes de coração.
Eles encontrarão corações e mentes que os seguirão nessa jornada de retorno da Mãe Terra à beleza e plenitude . (Profecia dos antigos índios americanos)
“Virá, que eu vi.” (Um Índio, música de Caetano Veloso)
Há um canto de pássaro que ainda não foi ouvido.
Escondido sob um manto escuro ele ainda repousa.
Ousa vez ou outra um trinado, o momento buscando
Quando abrirá as asas e livre alçará vôo.
Há uma luz que ainda não se fez toda em cor
Por entre as trevas que nos corações fizeram morada
Tao Sigulda (1914-2006), artista plástico de renome internacional, nascido em Riga, Letônia, fixou residência no Brasil na década de 60. Passeou por diversos materiais e variadas vertentes artísticas, demonstrando maestria em todas elas. Em 1985 criou um Centro Cultural que leva o seu nome, em Jarinu/SP. Tama Sigulda, sua esposa, é quem administra hoje as obras e o Centro Cultural Tao Sigulda, revelando com amorosidade e simpatia a quem ali chega a alma de seu amado esposo.
(fotos de Goonie: Tao e uma de suas últimas obras. Tama no atelier de Tao)
28 Dezembro 2008
Nos dias em que tenho vontade de gritar, eu silencio. Silêncio é um protesto mais forte do que qualquer grito. E pesa.
Colagem de Erika Tysse
12 Dezembro 2008
Estar aqui e não ser mais do que sombra
Deixar de cumprir a vida
Em seu propósito mais sagrado
Fingir que em nada lhe afeta
O drama que ocorre ao lado
Ser ausente, descrente
Ignóbil, imoral
Estar no avesso de si mesmo
Sufocar o deus potencial
Copo meio vazio
Taça em desequilíbrio
Tatear a estrada
Nesse caminhar errante
De ser alma penada
Em ser pensante
arte de William Blake
09 Dezembro 2008
Desatinadamente
Dediquei-me
Desmedidamente
Diluí-me
Dominaste-me
Desrespeitaste-me
Duvidei
Desiludi-me
Desprezei-te
Dominei-me
Decidi
Dolorosamente
Deixei-te
Desesperei-me
Debulhei-me
Desvencilhei-me
Desencantei-me
Desintegrei-te
Desafoguei-me
Desabrochei
Despertei
Dona do destino
(arte de Leonardo da Vinci)
05 Dezembro 2008
Um corpo no chão
E o povo aglomera
Um grito na rua
Olhos arregalados
Multidão curiosa
De dor, de morte
Fatalidade
Ou um ato desesperado e último?
Insensatez ou inutilidade?
Fim de vida
Ou começo?
O povo reclama,
Julga, e lastima
“Tão nova, coitada!”
O trânsito pára
E a vida pára
Alguém vai chorar amanhã
Por quem desistiu da jornada
Um corpo estendido na morte
Cheirando a suicídio
Com gosto de fim
(onde razão?)
(onde coragem?)
(onde ideais?)
28 Novembro 2008
Mal conseguimos roçar a Verdade e no entanto a toda hora ela nos toca
Deixar o chão e alçar vôo Alma dividida Entre o ninho e a partida
Peregrino errante Em luta constante Quebrar o espelho
Rasgar os véus Galgar os céus Transpor limites
Aspirar a verdade No sussurro do divino No segredo do destino
Governar a própria sorte Morrer além da morte Abandonar a Roda
Até deixar de ser... E então nascer No Grande Coração
05 Novembro 2008
São estranhas as pessoas Que não sabem amar. Soberbas, distantes, Cercam-se de uma fictícia segurança.
São estranhas as pessoas Que amam. Otimistas, riem à toa, Acham que o mundo tem jeito.
São estranhas as pessoas.
24 Outubro 2008
Choraste, mãe, pelo teu filho? Tuas lágrimas não se perderão Verterão em seiva Para alimentar as borboletas
Tudo tem seu revés Algo de bom Deve nascer do sofrimento Momento de paz após a chuva Ternura de afago Sangue novo na veia A vida trazida pelas marés E depositada na areia Um sonho vago O vento no trigo Abraço de amigo
Recebi com alegria, do amigo blogueiro Vicente, http://inatingivel.wordpress.com/, a indicação para o prêmio Dardos, ofertado aos blogs que transmitem valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Esses selos foram criados para promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Rede. Ao recebermos e aceitarmos o prêmio, devemos seguir algumas regras:
1. Exibir a imagem do selo; 2. Linkar o blogue que lhe atribuiu o prêmio; 3. Entregar o Prêmio Dardos a quinze outros blogs.
Em dias assim Quando as almas não se encontram E caminhamos mudos e pesados Quando nos recolhemos a nossa concha Cada um imerso no próprio egoísmo Feridos não pelo que foi dito ou feito Mas pela imagem crua e dolorosa Que o espelho nos revela
Nesses dias Em que o amor de tão doído parece ter fim Embora não seja assim que ele se acabe Quando sabemos da dor do outro Mas preferimos chafurdar Nas próprias mágoas A dar o primeiro passo Para a reconciliação
Em dias assim Testamos mais profundamente Nosso propósito de mudar atitudes E entendemos que o Embate de personalidades Só leva à dor E temos de ir buscar fundo em nós A autocompaixão e o autoperdão Para restaurar a harmonia interna E redescobrir no outro A própria necessidade de amar e ser amado
12 Outubro 2008
Há no homem duas serpentes Duas vertentes do amor divino Ambas tão discordantes Ambas tão necessárias
O bem e o mal andam juntos Pelo mundo, de mãos dadas Quem pode afirmar Qual é o fim ou o começo?